quinta-feira, 8 de setembro de 2011
20:40
Depois da primeira cerveja, ele me deu o seu número e lhe dei o meu, depois de alguns dias ele telefonou.
O encontro foi marcado, um bar do Lourdes as 8 horas, ele se atrasou 40 minutos, tempo suficiente para que as duas caipirinhas que pedi começassem a fazer efeito, de fato foi até bom estar um pouco mais solto quando ele chegou, timidez é um defeito que perco com o tempo ou com o álcool, é um defeito; e eu sabia disso.
Depois de algumas tulipas e um pouco de conversa sobre a cidade, as pessoas, a rotina e o dolar eu notei que seus olhos eram tão bonitos quanto seus cabelos, e por um momento parei.
Entre pagar a conta e a Praça Sete, pela primeira vez meus dedos tocaram seus cachos e no mesmo instante nossos olhos se tocaram.
De oficial era a primeira noite, e não houve beijo mas estranhamente foi mais do que eu podia esperar de uma quarta feira.
17:43
O que há de se esperar quando se salta no vazio? A atração pelo desconhecido pode ser tão doce quanto seus mistérios ou tão amarga quanto suas duvidas, e de fato: é o risco que torna o desconhecido algo sedutor, atraente, e assim é no medo que se descobre uma forma de prazer.
Não importa o tamanho do salto, um risco é um risco, pode ser que haja alguém de braços abertos a te esperar, pode ser que não... e foi assim que o conheci. Ainda não era verão, mas o ano já estava fadando ao fim, as ruas já movimentadas do centro da capital estavam ainda mais caóticas e no meio do caos lá estava ele; camisa xadrez, jeans, óculos de aro fino e seus 1,73... se não fosse pelos cabelos, seria apenas normal, mas não era.
Depois de alguns quarterões se sentou em um bar da Bahia e ali me disse seu nome.
domingo, 24 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Anjo em chamas

terça-feira, 5 de julho de 2011
Estupidez Total

A mesma música toca sem parar, no player e na vida...
quarta-feira, 13 de abril de 2011
A geração dos "sem Madonna
Eu nasci assim." A frase não é da canção "Modinha para Gabriela", de Dorival Caymmi, imortalizada na voz de Gal Costa. É apenas o título do novo single de Lady Gaga ("Born this Way"), que acaba de vazar e já causa polêmica por lembrar "Express Yourself", o hit de Madonna de 1989 que conclamava a geração oitentista a aceitar apenas o amor incondicional. Ouça trechos das duas músicas:
A canção de Gaga, podem aguardar, vai ser um hit e não é tão ruim quanto se diz, mas trouxe ao Twitter um conflito de gerações.
Quando tuitei que o novo single de Lady Gaga se chamava "Eu nasci assim: sem criatividade", um jovem seguidor me comoveu com um apelo ao respeito pela nova artista.
Em vários "tweets", ele questionou o seguinte: "Qual o problema em deixar que a minha geração sinta tudo o que Madonna fez vocês sentirem? Será que na época de vocês não tinham pessoas criticando Madonna? Nós não temos o que vocês tiveram. É isso."
A minha crítica não é especificamente a Lady Gaga, mesmo porque, no artigo "Lady Gaga e a Lojinha do Pop", eu festejava a nova diva pop justamente pela maneira criativa como fazia o pastiche dos ícones dos anos 1980 e 1990 em seus dois primeiros álbuns. No entanto, uma coisa se revela após o lançamento do novo single de Gaga e do último disco de Christina Aguilera: falta background a todas essas divas novatas.
Madonna é fruto de uma geração modernista, que criava sentidos para expressar sua insatisfação contra a ideologia dominante, repressora, castradora.
Estudou com a coreógrafa Martha Graham, conviveu com Basquiat e Andy Warhol, tirava notas altas na escola para conseguir dinheiro do pai e sempre usou a sedução feminina de forma a subjugar os homens.
Foi para Nova York vinda do interior, diz a lenda, com US$ 35 no bolso, morou em espeluncas, trabalhou no Dunkin' Donuts, quebrou a cara e adquiriu experiência.
Com base em sua educação católica e em toda a repressão que sofreu no seio familiar, criou sua obra-prima "Like a Prayer". Pela necessidade de entender sua maternidade, criou "Ray of Light"; do medo da velhice e da nostalgia das pistas de dança dos anos 1970 nasceu "Confessions on a Dance Floor". Da necessidade de ser dona de seu desejo sexual como são os homens, criou "Erotica" e "Justify My Love", cujos vídeos primam pela sutileza e pelo sugestionamento sexual.
Não há uma cena de nudez explícita nos dois vídeos, mas não houve menino daqueles anos 1990 que não corrido para o quarto após vê-la simulando masturbação em uma cama de veludo vermelho com os cônicos e icônicos corpetes de Jean-Paul Gaultier. "Eu soube que era gay quando vi 'Justify My Love' pela primeira vez", me disse certa vez um amigo.
Já Lady Gaga, Britney e Aguilera são da geração pós-moderna, carente de sentido, de ideologia e de educação formal. O caminho aberto por Madonna em termos de comportamento feminino e homossexual deixou essa geração sem ter o que contestar. Quando Gaga diz que "nasceu assim", está falando desses jovens frutos do determinismo histórico de Fukuyama: tudo está feito, estamos presos a nós mesmos e nunca seremos sujeitos ativos sobre nada, porque o problema e a solução está sempre no outro.
Enquanto Madonna olhava para as tendências musicais do futuro próximo, as engolia, misturava com suas questões existenciais e as regurgitava em algo aparentemente novo, as novatas do pop parecem fazer o caminho inverso e exatamente por isso são classificadas de plagiadoras.
Se Gaultier traduzia Madonna em corpetes, Lady Gaga traduz as roupas de Alexander McQueen e as bases musicais de Madonna, do Ace of Base e do Depeche Mode em performance e música.
Madonna e Michael Jackson eram os ícones que os outros analisavam, discutiam e tentavam decifrar. Lady Gaga e as outras são exatamente o contrário. Artistas carentes de sentido que buscam nos símbolos criados pelas gerações passadas uma substância para sua performance muitas vezes vazia e desesperada.
Lady Gaga é boa. De todas as que estão aí, aliás, é a melhor. E isso se evidencia quando ela, assim como Madonna, fala daquilo que é sua essência, como em "Beautiful and Dirty Rich", "Poker Face", "Telephone" e "Paparazzi". Mas se continuar olhando para os sintetizadores dos anos 1990, vai cansar logo.
Quanto à carência de um ícone para chamar de seu do meu seguidor, recomendo que não tente sentir o que sentimos com Madonna e Michael Jackson, assim como foi inútil à minha geração tentar sentir o que eram os Beatles e os Stones no auge. Esqueçam as divas que não se esquecem da Madonna, vão a uma balada que toque LCD Soundsystem, Scissor Sisters, Cut Copy, La Roux, Hurts, Adele, MGMT, Gorillaz, Cee Lo Green, Janelle Mónae e sintam a boa música pop de sua geração.
domingo, 3 de abril de 2011
Toca discos velho

Tocar as mesmas musicas não me vale mais
De que adianta deixar o disco rodar
Se em minha mente a canção é sempre a mesma?
Sinto que a agulha arranha os sons
Enquanto minha mente se perte à mais de 345 RPM
Sabe quando se aperta os cintos?
De repente, Stop!
Sem musica, sem grave nem agudo
Sem vitrola nem agulha
Talvez nem era musica
Poderia ser meu coração...