quinta-feira, 8 de setembro de 2011

17:43

I.

O que há de se esperar quando se salta no vazio? A atração pelo desconhecido pode ser tão doce quanto seus mistérios ou tão amarga quanto suas duvidas, e de fato: é o risco que torna o desconhecido algo sedutor, atraente, e assim é no medo que se descobre uma forma de prazer.

Não importa o tamanho do salto, um risco é um risco, pode ser que haja alguém de braços abertos a te esperar, pode ser que não... e foi assim que o conheci. Ainda não era verão, mas o ano já estava fadando ao fim, as ruas já movimentadas do centro da capital estavam ainda mais caóticas e no meio do caos lá estava ele; camisa xadrez, jeans, óculos de aro fino e seus 1,73... se não fosse pelos cabelos, seria apenas normal, mas não era.

Depois de alguns quarterões se sentou em um bar da Bahia e ali me disse seu nome.

domingo, 10 de julho de 2011

Anjo em chamas


Ela está queimando,
Tentando partir, tentando se salvar
Suas asas estão em chamas
Como ela poderá voar?

Ela nos disse que juntos seriamos mais fortes
Nessa estrada onde os sonhos se casam com a medo
Ela não importa com as labaredas
Ela ainda está alerta, ainda esta vida

Nessa estrada ela disse:
Os sonhos se casam com medo
Ela está queimando até morrer
Corram, Corram, Corram
Escolham o medo da vida ou a sorte da morte.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Estupidez Total


A mesma música toca sem parar, no player e na vida...
Mesma melodia, mesmos acordes, mesmas notas, somente os interpretes que variam; Alguns conseguem transformar a canção em algo mais aberto e feliz, outros seguem pelo drama, mas nunca inovam de fato.. Nada novo, nada legal.
Vontade de quebrar esses discos, vontade de guardar essa vitrola numa caixa empoeirada e deixar num canto até que a canção valha a pena ser tocada de novo... enquanto isso, vou buscando de bar em bar, sacada em sacada alguém que saiba fazer algo "ao vivo" e dê vida a melodia morta pelo cotidiano.

"Um sonho rosa escureceu, palavras sem valor... Sei que fui ingénua, eu estava pintando borboletas no meu céu e hoje estou tremendo sobre o chão."

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A geração dos "sem Madonna

Eu nasci assim." A frase não é da canção "Modinha para Gabriela", de Dorival Caymmi, imortalizada na voz de Gal Costa. É apenas o título do novo single de Lady Gaga ("Born this Way"), que acaba de vazar e já causa polêmica por lembrar "Express Yourself", o hit de Madonna de 1989 que conclamava a geração oitentista a aceitar apenas o amor incondicional. Ouça trechos das duas músicas:

A canção de Gaga, podem aguardar, vai ser um hit e não é tão ruim quanto se diz, mas trouxe ao Twitter um conflito de gerações.

Quando tuitei que o novo single de Lady Gaga se chamava "Eu nasci assim: sem criatividade", um jovem seguidor me comoveu com um apelo ao respeito pela nova artista.

Em vários "tweets", ele questionou o seguinte: "Qual o problema em deixar que a minha geração sinta tudo o que Madonna fez vocês sentirem? Será que na época de vocês não tinham pessoas criticando Madonna? Nós não temos o que vocês tiveram. É isso."

A minha crítica não é especificamente a Lady Gaga, mesmo porque, no artigo "Lady Gaga e a Lojinha do Pop", eu festejava a nova diva pop justamente pela maneira criativa como fazia o pastiche dos ícones dos anos 1980 e 1990 em seus dois primeiros álbuns. No entanto, uma coisa se revela após o lançamento do novo single de Gaga e do último disco de Christina Aguilera: falta background a todas essas divas novatas.

Madonna é fruto de uma geração modernista, que criava sentidos para expressar sua insatisfação contra a ideologia dominante, repressora, castradora.

Estudou com a coreógrafa Martha Graham, conviveu com Basquiat e Andy Warhol, tirava notas altas na escola para conseguir dinheiro do pai e sempre usou a sedução feminina de forma a subjugar os homens.

Foi para Nova York vinda do interior, diz a lenda, com US$ 35 no bolso, morou em espeluncas, trabalhou no Dunkin' Donuts, quebrou a cara e adquiriu experiência.

Com base em sua educação católica e em toda a repressão que sofreu no seio familiar, criou sua obra-prima "Like a Prayer". Pela necessidade de entender sua maternidade, criou "Ray of Light"; do medo da velhice e da nostalgia das pistas de dança dos anos 1970 nasceu "Confessions on a Dance Floor". Da necessidade de ser dona de seu desejo sexual como são os homens, criou "Erotica" e "Justify My Love", cujos vídeos primam pela sutileza e pelo sugestionamento sexual.

Não há uma cena de nudez explícita nos dois vídeos, mas não houve menino daqueles anos 1990 que não corrido para o quarto após vê-la simulando masturbação em uma cama de veludo vermelho com os cônicos e icônicos corpetes de Jean-Paul Gaultier. "Eu soube que era gay quando vi 'Justify My Love' pela primeira vez", me disse certa vez um amigo.

Já Lady Gaga, Britney e Aguilera são da geração pós-moderna, carente de sentido, de ideologia e de educação formal. O caminho aberto por Madonna em termos de comportamento feminino e homossexual deixou essa geração sem ter o que contestar. Quando Gaga diz que "nasceu assim", está falando desses jovens frutos do determinismo histórico de Fukuyama: tudo está feito, estamos presos a nós mesmos e nunca seremos sujeitos ativos sobre nada, porque o problema e a solução está sempre no outro.

Enquanto Madonna olhava para as tendências musicais do futuro próximo, as engolia, misturava com suas questões existenciais e as regurgitava em algo aparentemente novo, as novatas do pop parecem fazer o caminho inverso e exatamente por isso são classificadas de plagiadoras.

Se Gaultier traduzia Madonna em corpetes, Lady Gaga traduz as roupas de Alexander McQueen e as bases musicais de Madonna, do Ace of Base e do Depeche Mode em performance e música.

Madonna e Michael Jackson eram os ícones que os outros analisavam, discutiam e tentavam decifrar. Lady Gaga e as outras são exatamente o contrário. Artistas carentes de sentido que buscam nos símbolos criados pelas gerações passadas uma substância para sua performance muitas vezes vazia e desesperada.

Lady Gaga é boa. De todas as que estão aí, aliás, é a melhor. E isso se evidencia quando ela, assim como Madonna, fala daquilo que é sua essência, como em "Beautiful and Dirty Rich", "Poker Face", "Telephone" e "Paparazzi". Mas se continuar olhando para os sintetizadores dos anos 1990, vai cansar logo.

Quanto à carência de um ícone para chamar de seu do meu seguidor, recomendo que não tente sentir o que sentimos com Madonna e Michael Jackson, assim como foi inútil à minha geração tentar sentir o que eram os Beatles e os Stones no auge. Esqueçam as divas que não se esquecem da Madonna, vão a uma balada que toque LCD Soundsystem, Scissor Sisters, Cut Copy, La Roux, Hurts, Adele, MGMT, Gorillaz, Cee Lo Green, Janelle Mónae e sintam a boa música pop de sua geração.

domingo, 3 de abril de 2011

Toca discos velho


Tocar as mesmas musicas não me vale mais

De que adianta deixar o disco rodar

Se em minha mente a canção é sempre a mesma?

Sinto que a agulha arranha os sons

Enquanto minha mente se perte à mais de 345 RPM

Sabe quando se aperta os cintos?

De repente, Stop!

Sem musica, sem grave nem agudo

Sem vitrola nem agulha

Talvez nem era musica

Poderia ser meu coração...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Fixation Oral

Acontece que eu sou meio carente nisso sabe

Eu preciso ter alguem na cabeça pra ocupar meu tempo, meu coração. É bom pensar em alguém e tudo mais, mas de tanto pensar chego a um ponto que eu confundo as coisas, antes o que era pra ser diversão,um passatempo, acaba se tornando em algo real, onde eu começo a criar ilusões em cima disso tudo, é o que eu geralmente sempre faço: CRIO ILUSÕES e acabo vivendo dezenas de vidas que não são as minhas ou melhor, são minhas, porque eu as criei pra serem perfeitas do jeito que eu quero que seja a minha.

Tenho tanta coisa na cabeça que as vezes acho que poderia explodir, mas trocaria tudo por uma unica coisa. Trocaria a minha receita e a escada de madeira por algo que eu ainda nem sei o nome, sei que um hora vai acontecer e vai ser maravilhoso, e a receita vai render bons jantares e a escada não faria mal se se tranformasse em uma cerca branca.


*De uma conversa com Noélia Bonfim