sábado, 20 de fevereiro de 2010

Coisas de Raí

Coisa 1. Pensei isso alto um dia
"Sabe quando parece que tudo está indo como deveria ir, e quando o mundo parece
sorrir pra você com um sorriso indecente, como uma droga que faz você querer mais,
e por mais que você se esforçe por mais que você lute e tente, esse sorriso se tranforma
em lagrimas? pois é, você não lutou e não tentou o suficiente.
Você pode tudo, é só acreditar, fadas existem, a magia está presente em tudo.
Olhe ao seu redor, e verá.
O mundo é só uma criança feliz, nós mesmos que o fazemos chorar."

Coisa 2. A razão dos melhores momentos, minha Diva mais significante ( Sim a Britney é a maior, mais a Dulce é mais que Diva... é amiga)




Para Dulce
Um sorriso, uma foto, uma canção, não era o tipo de garoto que precisava de tudo, estava satisfeito,
tinha um ideal, uma inspiração, porque alguém fez ele querer ser melhor, querer ser grande.
Pra uns ele vivia em estado de utopia, mais ele só estava sonhada, pois alguém pediu, pediu pra ele
lutar, pra ele nunca desistir, pediu pra que ele fosse justo e honesto consigo mesmo e com os outros.
Esse garota amava, Dulce Maria, sua diva, sua verdade, sua inspiração.


Coisa 3. Esse poema é de Carlos Drummond e me lembra minha amiga Indyra, garden ... enfim;

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A noite convida (continuação de Noite Ladra)

E como ia ser agora? aquela manha acordou com um gosto estranho, talvez o amargo do arrependimento por não ter dito, ou só fosse o triste gosto da perda.
Tomou seu banho, deixou-se molhar, preparou seu chá de erva mate e durante o resto da primavera não choveu mais.

Seu nome era Beatriz, 23 anos, estudante de bio medicina, cursava o 5° período, era pacata, de feições tristes desde o ultimo Outubro, aquelas que ainda a cercavam esperavam que o calor do verão fosse capaz de descongelar toda a tristeza que havia se cristalizado dentro dela. Era Fevereiro, semana de Carnaval, longe das marchinhas, e todas as alegorias de felicidade que transbordava a cidade, e ela se mantinha refugiada no seu apartamento, no 14° andar, a comemoração mais intima que tivera foi com seu maço de cigarro, uma garrafa de vodka barata e um disco velho com as melhores canções de Maysa, estava lendo o mesmo livro desde que terminara o ensino médio, presente da mãe que morreu vitima da leucemia a quatro Verões atrás.

Andava por ai despenteada, com gravetos e flores entre os fios, ficar na praça em frente ao condomínio lendo era sua forma de escapar daquele verão tão quente, o banho era um costume que havia perdido, usava trapos e roupas velhas, mais era bonita, cabelos longos ondulados e castanhos, olhos verdes, o corpo era magro, e seu rosto era de certa forma angelical mais agora estava comum, simplesmente comum.

Pensava que estar mal era o preço a se pagar, por se sentir culpada, não, ela não era a culpada, foi ataque cardíaco fulminante, não haveria nada que ela pudesse fazer,e mesmo que ela tivesse saído para ver a noite, mudado de ideia, mal saberia ela que não iria passar do 7° andar com a mesma falsa felicidade que saíra, o máximo que teria tido era a chance de dizer "Eu te amo" "sempre te amei" antes do ultimo suspiro.

Era 25 de Fevereiro, chovia, a noite convidava, pensou, logo desistiu, desta vez não queria se molhar de lágrimas, queria sentir a chuva no cabelo, Como Luana queria sentir naquela noite de Outubro, estava frio, mais deixou o casaco na cadeira, foi pelas escadas, a chuva havia aumentado, havia alguém na praça.

- Oi - ela disse
- Sente-se - uma voz feminina respondeu

Ela ainda caminhava em direção ao banco, quando reparou no cabelo da moça.

- Está frio!
- Por isso o vermelho.

Luiza, sem identidade, sem idade, sem historia, apenas Luiza. Tinha olhos de um tom castanho misterioso, uma fisionomia de quem entendia a magia do circo, mesmo fazendo frio aquela noite, suas pernas estavam a mostra, usava apenas um grosso casaco vermelho, da mesma cor de seus cabelos, também usava uma cartola, a maquiagem estava borrada como a de uma bailarina que caiu em sua apresentação no Ballet Municipal, parecia ter chorado, mais não parecia triste.

-Beatriz
-Luiza

Bia sorriu

- O que fazes aqui? Está chovendo, faz frio.
- Vim só sentir a chuva e você?
- Tenho um encontro
- Não vejo ninguém e com essa chuva ele não deve vir.
- A noite me convidou, ela veio.
- Está nublado
- Mais ela veio


- De onde és?
- Não tenho lugar
- Todos tem um lugar
- Eu não, tenho vários, onde eu estiver será o meu lugar, agora é aqui
- Parece Loucura
- Parece Sedutor
- Sedutor?
- Sim, sempre deixo o mundo me seduzir, sempre que nos encontramos vou pra onde ele me convida..., sabe hoje eu vi um pássaro
- Um pássaro?
- Sim, vocês não reparam os pássaros, tem um monte ai pela cidade, quer ver um?
- Está chovendo
- Eles não ligam, sabem voar
- Queria saber voar
- Mais você não iria pra longe
- Não há como voar sem ser livre e vejo que você se trancou numa gaiola em que você mesma construiu.
- Como sabes?
- Eu simplesmente sei.


A porta se abriu, havia chegado ao 14° andar, pelo elevador, de certa forma estava calma, não era normal tampouco usual convidar uma estranha para entrar, mais a noite convidava.

- Café?
- Prefiro chá
- De maça?
- Com bolachas

Na Tv aberta passava alguns cultos religiosos e um ou outro programa ruim, Luiza escolheu um filme numa pilha de DVD’s piratas que estavam sobre o raque empoeirado, era um clássico, o nome não importa pois clássicos de amor são todos iguais, a mocinha conhece mocinho e cria antipatia por ele e ele também não gosta dela, até que o mocinho faz alguma coisa que mocinha curte, os dois se apaixonam, mocinho descobre algo que mocinha fez de ruim, ou então a mocinha descobre algo que o mocinho fez de ruim, a família de um não aprova o romance e o vilão ou a vilã possui uma paixão incontida pela mocinha ou pelo mocinho, um tenta provara para o outro que é uma boa pessoa, os dois se beijam e acabam felizes para sempre. ( ou as vezes um morre, pois um amor ideal só pode existir na ideia, então quando encontra o real não poder ser o ideal)

- Queria viver em um filme – Luiza quebrou o silencio
- Eu também, poderia voltar atrás e regravar meus erros
- Somente porque gosto das roupas
- Também há como ensaiar antes e você sabe o que vai acontecer, é só ler o script, décor...
-Gosto dos chapéus – interrompeu Luiza


- Parece que você não se importa, não leva a sério
- O que?
- A vida, tudo isso, você diz, fala, se arrisca, é tão livre, tão ...
- Feliz?
- Não, sim, talvez , mais não é isso e que você parece não se preocupar, simplesmente faz o que quer e não se preocupa com as consequências, com o futuro
- Me preocupo, com o hoje, Feche os olhos.
- Como assim?
- Feche, confie em mim, se arrisque

Durante o resto da noite não choveu, e aquele filme não era um clássico, não como qualquer outro.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Noite Ladra

Não que o tédio dominasse aquela sala, mais a noite parecia convidativa aos olhos de quem a observava pela janela no 14° andar, talvez fossem as luzes da cidade, ou então o clima que nem tendia para o calor nem para o frio, estava fresco lá fora, a janela estava fechada mais parecia que se podia sentir o vento, o barulho dos carros, havia perdido a hora, havia perdido o juízo, a cidade era bandida pela noite ladra, roubava bens, amores e sonhos.


- Coloque sua melhor roupa, vamos pra uma balada chamada noite.
- Mais está tão tarde!
- Você sabe como é, a vida chama e não podemos ficar aqui parados, três, quatro, cinco da madrugada não importa, tem vida lá fora, tem vida aqui dentro.
- Também tem vida aqui dentro, mais tenho juízo
- Juízo? Ora essa, logo você que sempre fez o que quis, gritou quando queria gritar. Vamos lá é só um tour pela cidade não vamos pular de nenhuma ponte.
- Sabe, eu já pulei.
- Como?
- Pulando, como as pessoas pulam.
- Você não tem juízo
- Aprendi a ter, acho que chove.
- Por isso não quer ir?
- Não!
- Então me diga, não há de temer a chuva e só agua.
- A mesma agua das lágrimas.
- Não há razão para chorar
- Não há razão para molhar
- Mais não está chovendo ainda, e você sabe eu levo meu casaco... te empresto assim que as primeiras gotas derem sinal
- Não!
- Podemos só caminhar, ver a lua, as estrelas
- Vai ficar nublado
- Podemos sentir o vento
- Estará frio
- Deixe-se convencer, não quero ir só, mais não quero perder a noite.
- Farei um café
- Não!
- É pra mim
- Pois, faça chá
- De maça?
- Gosto de erva mate.
- Farei café.
- Com bolachas?
- Não, está tarde.
- Mais.. e que pensei

Ligou-se a cafeteira, a agua esquentava e nesse momento a chuva batia no vidro sujo da janela, mais a noite para quem a observava antes apenas se tornou mais atraente, não aguentou esperar o café, pegou as bolachas

- Aonde vai?
- Tomar um banho.
- Não vá.
- É só um banho de chuva
- É que...
- Você vai?
- Não
- Porque?
- Não quero me molhar
- Não quer mudar de ideia?

Já colocando o café na taça - não que fosse refinada mais e que já estava suja sobre e mesa com o resto de vinho que havia tomado venho o telejornal - queria poder explicar porque não queria ir ver a noite, mais é que sempre mantinha uma postura tão forte que por mais que quisesse não poderia expressar o que sentia, queria abraçar e dizer loucamente, "Fique" "Durma comigo" "Eu te amo" mais tudo o que saiu foi...

- Volte logo

E lá se foi uma sonhadora, tomar seu banho de chuva, era jovem demais pra entender, mais naquela noite de todas as coisas que poderiam ter salvo a sua vida nada foi dito, ela queria apenas sair pela noite, enquanto sua melhor amiga - que mal sabia ela que a amava - queria apenas passar o resto da noite a seu lado, e apenas isso, ter-la só para si e não dividi-la com ninguém nem com as estrelas, nem com a lua,nem com a noite, noite bandida, ladra de bens, sonhos e amores e naquela noite ladra de vidas. Ela não queria se molhar não de chuva, mais se talvez não fosse tão rígida e durona e tivesse dito o que queria talvez naquela noite não teria se molhado de lágrimas.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Por um Mundo Mais Feliz.


Por um mundo mais feliz, onde as pessoas poderiam viver em paz, sem censuras que oprimem e esmagam suas opiniões, onde um sorriso seria como um abraço acolhedor e não mais como apenas um truque de cinismo, onde haveria total liberdade de escolha e com mais pessoas falando o que pensam e expondo suas idéias geraria uma maior socialização formando grupos cada vez mais fortes e unidos.

Um mundo onde a diversidade seria essencial, não haveria motivo para as pessoas se esconderem, pois haveria respeito, as pessoas seriam capaz de perdoar. Neste mundo mais feliz, o certo, o doce, o pecado e o errado seriam palavras... apenas palavras,não haveria necessidade de julgar, amariam ... sabendo o que isso realmente significa.

Um mundo onde a beleza não seria apenas admirada mais também preservada, onde o azul seria mais azul, o verde mais verde, o vermelho mais vermelho - e tudo isso sem a necessidade de êxctase ou outras drogas sintéticas -. Onde aventuras seriam mais inesquecíveis, desejos mais intensos, verdades mais sinceras, pessoas mais coesas.

Um mundo onde as pessoas acordariam com sua musica preferida . (Espera,vai começar a tocar minha música preferida e não tem como mandar SMS com a bebida na mão)
Um mundo de Arte, cores, texuras, sabores.

Festas? porque não? um mundo feliz como diria o Black Eyed Peas com Party everyday, p - p - p - party everyday.

Um mundo mais feliz.

Utopia?

Por um mundo mais gay 2

Fazendo a linha “Por um mundo mais gay” , duas listas , a primeira com 20 melhores filmes que abordam a temática da homossexualidade , mais uma dica do blog, e a segunda lista com 10 músicas pop internacionais que poderam te ajudar e sair do armário. (pra você, bicha-depressiva-enrustida, soltar a franga e mandar a sociedade moralista judaica-cristã pra p**a que pariu.)
Passa o óleo e acredita mona.

Lista 1 - Filmes



1. "O segredo de Brokeback Mountain" (2005), de Ang Lee - US$ 83 milhões
2. "Bruno" (2009), de Larry Charles - US$ 60 milhões
3. "As horas" (2002), de Stephen Daldry - US$ 41 milhões
4. "Monster - Desejo assassino" (2003), de Patty Jenkins - US$ 34 milhões
5. "Milk - A voz da igualdade" (2008), de Gus Van Sant - US$ 32 milhões
6. "Rent - Os boêmios" (2005), de Chris Columbus - US$ 29 milhões
7. "Capote" (2005), de Bennett Miller - US$ 29 milhões
8. "Frida" (2002), de Julie Taymor - US$ 26 milhões
9. "Longe do paraíso" (2002), de Todd Haynes - US$ 16 milhões
10. "Sobrou pra você" (2000), de John Schlesinger - US$ 15 milhões
11. "E sua mã também" (2002), de Alfonso Cuarón - US$ 14 milhões
12. "Kinsey - Vamos falar de sexo" (2004), de Bill Condon - US$ 10 milhões
13. "Transamerica" (2005), de Duncan Tucker - US$ 9 milhões
14. "Até o fim" (2001), de David Siegel - US$ 9 milhões
15. "Aconteceu em Woodstock" (2009), de Ang Lee - US$ 7,5 milhões
16. "Cidade dos sonhos" (2001), de David Lynch - US$ 7 milhões
17. "Beijando Jessica Stein" (2001), de Charles Herman-Wurmfeld - US$ 7 milhões
18. "O closet" (2001), de Francis Veber - US$ 6,5 milhões
19. "Regras da atração"(2002), de Roger Avary - US$ 6,5 milhões
20. "Mambo italiano" (2003), de Émile Gaudreault - US$ 6 milhões

Dica do blog: Oraçoes para Bobby

Lista 2 - Músicas para se libertar






10. COME ON OVER BABY -CHRISTINA AGUILERA
A música é animada. O clipe é colorido. A cantora é ninguém mais que Christina Aguilera. Agora some uma letra que diz “I’m not just talking about your sexuality” e pimba, se jogue!

09. LOVERBOY - MARIAH CAREY
Você tá aí, tendo que entrar no chat Uol pra fazer pegação, arrumando namorada e indo à igreja pra ninguém desconfiar de nadinha? Que isso, se deixe levar por essa música (que não foi um hit, mas sim um fracasso que nem você, seu enrustido) e arrume já seu loverboy. Suba num carro e coloque sua bota cano longo, pois a coisa tá começando agora…

08. HUSH HUSH - PUSSYCAT DOLLS
Você lamenta a situação, mas não consegue mudar. O que fazer? Não fique mais nenhum momento assim, ora. Seja feliz, não precise dos julgamentos de ninguém e mande a trupi conservadora ficar quietinha. A versão de “Hush Hush” lançada como single ainda traz samples de “I Will Survive”. Precisa de mais?!

07. I KISSED A GIRL - KATY PERRY
Essa é só para as nossas amiguinhas lésbicas. Ou não, bobinho! Basta trocar girl por boy ou dizer “I kissed a girl and I DIDN’T like it”….

06. SHINY HAPPY PEOPLE - R.E.M.
Preste atenção à letra quando ela diz “shiny happy people holding hands, shiny happy people laughing” e reflita.

05. LOOK AT ME - GERI HALLIWELL
Se você tinha idade suficiente pra amarrar o tênis na época das Spice Girls, com certeza sabe quem é Geri Halliwell. Sua primeira música solo, “Look At Me”, é um monte de frases desconexas (que nem deve estar sua cabeça) mas que fazem todo sentido quando chega a parte “old feeling, new beginning”.

04. I WANNA DANCE WITH SOMEBODY - WHITNEY HOUSTON
Olha, uma dica valiosa: Pra sair bem do armário, tem que gostar de divas americanas. E esqueça Barbra Streisand caso você tenha menos de 80 anos. E diva maior que Whitney Houston há poucas, ainda mais com cabelão cafona e louca pra dançar com alguém.

03. DON’T STOP ME NOW -QUEEN
Faça ao pé-da-letra o que essa música manda. Solte seu lado Freddie Mercury e sinta-se a verdadeira rainha de seu reino. Porém, tenha um pingo de inteligência e use camisinha, se não a maldita vai te deter. Estamos claros?!

02. OUTSIDE - GEORGE MICHAEL
Veja o vídeo e acompanhe a letra. Não precisa falar mais nada.

01. EXPRESS YOURSELF -MADONNA
A maioria das músicas da Madonna poderiam lhe ajudar nesse processo de aceitação. Mas é impossível negar que “Express Yourself” é um bocado mais especial, principalmente pela parte “what you need is a big strong hand, to lift you to your higher ground, make you feel like a queen on a throne”. Animou?!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Por Um Mundo Mais Gay...


Mais Glamrock, cores, festas, purpurina, classe, ALEGRIA ... As vezes eu queria que o mundo fosse um pouco mais gay, onde todos os lugares e todas as festas poderiam ter mais gente dando aloka, se soltando, gritando, batendo cabelo, dançando ao melhor estilo pop, colorindo o espaço, sendo mais feliz, onde um pouco de make up e uma boa montagem de look deixassem as pessoas mais bonitas, e o som alto fizessem as pessoas vibrarem mais com mais pensamento e mensagens positivas, e que durante a noite uma dança louca com uma espécie de frenesi dominasse a nação.


Um mundo sem preconceito, onde os olhos fechados não impediriam a mente de estar aberta, onde o amor e o respeito predominasse, onde as pessoas pudessem se aceitar e assim aceitar o mundo e fazer o possível (juntas) por um mundo melhor, mais vivo, onde as pessoas iluminariam as ruas escuras com glitter, e coloririam o begê de neon, onde teriam classe em todos os lugares e capacidade de discutir sobre tudo não só sobre carros, mulheres, futebol e cerveja.

Um mundo onde o jornalista seria o novo ditador, o cabeleireiro o novo analista, o estilista o novo conselheiro, Um mundo onde não iria faltar um espelho sequer para deixar as pessoas prontas pra novos trabalhos e novas jornadas.

Um mundo onde as pessoas seriam mais blasé, e não haveria espanto a reações inusitadas, onde as pessoas haveria menos poluição (só a do laque que aumentaria)onde as pessoas seriam mais altas no alto do salto, um mundo onde não haveria ruas e avenidas e sim passarelas e corredores de moda.

Um mundo de respeito e igualdade, sem machismo e preconceito e as mulheres mais femininas não tentariam ser melhores que os homens porque seriam todos iguais, onde as pessoas poderiam Amar, ser livre, viver sua vida.

Um mundo de passeatas coloridas, mensagens de superação, um mundo de revistas interessantes e sem fronteiras, um mundo de diversidade, um mundo de dignidade
Um mundo mais GAY.

domingo, 3 de janeiro de 2010

O dia que Júpiter encontrou Saturno

Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto. Deram-lhe um copo de plástico com vodka, gelo e uma casquinha de limão. Ela triturou a casquinha entre os dentes, mexendo o gelo com a ponta do indicador, sem beber. Com a movimentação dos outros, levantando o tempo todo para dançar rocks barulhentos ou afundar nos quartos onde rolavam carreiras e baseados, devagarinho conquistou uma cadeira de junco junto a janela. A noite clara lá fora estendida sobre Henrique Schaumann, a avenida poncho & conga, riu sozinha. Ria sozinha quase o tempo todo, uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz. Molhou os lábios na vodka tomando coragem de olhar para ele, um moço queimado de sol e calças brancas com a barra descosturada. Baixou outra vez os olhos, embora morena também, e suspirou soltando os ombros, coluna amoldando-se ao junco da cadeira. Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.

Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.

Levemente, para não chamar atenção de ninguém, girou o busto sobre a cintura, apoiando o cotovelo direito sobre o peitoril da janela. Debruçou o rosto na palma da mão, os cabelos lisos caíram sobre o rosto. para afastá-los, ela levantou a cabeça, e então viu o céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Vista assim parecia não uma moça vivendo, mas pintada em aquarela, estatizada feito estivesse muito calma, e até estava, só não sentia mais nada, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco parada assim, meio remota, o moço das calças brancas veio se aproximando sem que ela percebesse.

Parado ao lado dela, vistos de dentro, os dois pintados em aquarela - mas vistos de fora, das janelas dos carros procurando bares na avenida, sombras chinesas recortadas contra a luz vermelha.

E de repente o rock barulhento parou e a voz de John Lennon cantou every dau, every way is getting better and better. Na cabeça dela soaram cinco tiros. Os olhos subitamente endurecidos da moça voltaram-se para dentro, esbarrando nos olhos subitamente endurecidos dos moço. As memórias que cada um guardava, e eram tantas, transpareceram tão nitidamente nos olhos que ela imediatamente entendeu quando ele a tocou no ombro.

-Você gosta de estrelas?
-Gosto. Você também?
-Também. Você está olhando a lua?
-Quase cheia. Em Virgem.
-Amanhã faz conjunção com Júpiter.
-Com Saturno também.
-Isso é bom?
-Eu não sei. Deve ser.
-É sim. Bom encontrar você.
-Também acho.

(Silêncio)

-Você gosta de Júpiter?
-Gosto. Na verdade "desejaria viver em Júpiter onde as almas são puras e a transa é outra".
-Que é isso?
-Um poema de um menino que vai morrer.
-Como é que você sabe?
-Em fevereiro, ele vai se matar em fevereiro.

(Silêncio)

-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.

(Silêncio)

-Como é que você sabe?
-O quê?
-Que o menino vai se matar.
-Sei de muitas coisas. Algumas nem aconteceram ainda.
-Eu não sei nada.
-Te ensino a saber, não a sentir. Não sinto nada, já faz tempo.
-Eu só sinto, mas não sei o que sinto. Quando sei, não compreendo.
-Ninguém compreende.
-Às vezes sim. Eu te ensino.
-Difícil, morri em dezembro. Com cinco tiros nas costas. Você também.
-Também, depois saí do corpo. Você já saiu do corpo?

(Silêncio)

-Você tomou alguma coisa?
-O quê?
-Cocaína, morfina, codeína, mescalina, heroína, estenamina, psilocibina, metedrina.
-Não tomei nada. Não tomo mais nada.
-Nem eu. Já tomei tudo.
-Tudo?
-Cogumelos têm parte com o diabo.
-O ópio aperfeiçoa o real
-Agora quero ficar limpa. De corpo, de alma. Não quero sair do corpo.

(Silêncio)

-Acho que estou voltando. Usava saias coloridas, flores nos cabelos.
-Minha trança chegava até a cintura. As pulseiras cobriam os braços.
-Alguma coisa se perdeu.
-Onde fomos? Onde ficamos?
-Alguma coisa se encontrou.
-E aqueles guizos?
-E aquelas fitas?
-O sol já foi embora.
-A estrada escureceu.
-Mas navegamos.
-Sim. Onde está o Norte?
-Localiza o Cruzeiro do Sul. Depois caminha na direção oposta.

(Silêncio)

-Você é de Virgem?
-Sou. E você, de Capricórnio?
-Sou. Eu sabia.
-Eu sabia também.
-Combinamos: terra.
-Sim. Combinamos.

(Silêncio)

-Amanhã vou embora para Paris.
-Amanhã vou embora para Natal.
-Eu te mando um cartão de lá.
-Eu te mando um cartão de lá.
-No meu cartão vai ter uma pedra suspensa sobre o mar.
-No meu não vai ter pedra, só mar. E uma palmeira debruçada.

(Silêncio)

-Vou tomar chá de ayahuasca e ver você egípcia. Parada do meu lado, olhando de perfil.
-Vou tomar chá de datura e ver você tuaregue. Perdido no deserto, ofuscado pelo sol.
-Vamos nos ver?
-No teu chá. No meu chá.

(Silêncio)

-Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
-Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
-Vou te escrever carta e não te mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
-Vou ver Saturno e me lembrar de você.
-Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
-O tempo não existe.
-O tempo existe, sim, e devora.
-Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
-Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
-E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

(Silêncio)

-Mas não seria natural.
-Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
-Natural é encontrar. Natural é perder.
-Linhas paralelas se encontram no infinito.
-O infinito não acaba. O infinito é nunca.
-Ou sempre.

(Silêncio)

-Tudo isso é muito abstrato. Está tocando "Kiss, kiss, kiss". Por que você não me convida para dormirmos juntos.
-Você quer dormir comigo?
-Não.
-Porque não é preciso?
-Porque não é preciso.

(Silêncio)

-Me beija.
-Te beijo.

Foi a última pessoa que viu ao sair. Tão bonita que ele baixou os olhos, sem saber sabendo que ela também o tinha visto. Desceu pelo elevador, a chave do carro na mão. Rodou a chave entre os dedos, depois mordeu leve a ponta metálica, amarga. Os olhos fixos nos andares que passavam, sem prestar atenção nos outros que assoavam narizes ou pingavam colírios. Devagarinho, conquistou o espaço junto à porta. Os ruídos coados de festas e comandos da madrugada nos outros apartamentos, festas pelas frestas, riu sozinho. Ria sozinho quase sempre, um moço queimado de sol, com a barra branca das calças descosturadas, querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz.

Mordeu a unha junto com a chave, lembrando dela, uma moça magra de cabelos lisos junto à janela. Baixou outra vez os olhos, embora magro também. E suspirou soltando os ombros, pés inseguros comprimindo o piso instável do elevador. Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.

Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.

Levemente, para não chamar a atenção de ninguém, apertou os dedos da mão direita na porta aberta do elevador e atravessou o saguão de lado, saindo para a rua. Apoiou-se no poste da esquina, o vento esvoaçando os cabelos, e para evitá-lo ele então levantou a cabeça e viu o céu. Um céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Visto assim parecia não um moço vivendo, mas pintado num óleo de Gregório Gruber, tão nítido estava ressaltado contra o fundo da avenida, e assim estava, mas sem compreender, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco, a moça debruçou-sena janela lá em cima e gritou alguma coisa que ele não chegou a ouvir. Parado longe dela, a moça visível apenas da cintura para cima parecia um fantoche de luva, manipulado por alguém escondido, o moço no poste agitando a cabeça, uma marionete de fios, manipulada por alguém escondido.

De repente um carro freou atrás dele, o rádio gritando "se Deus quiser, um dia acabo voando". Na cabeça dele soaram cinco tiros. De onde estava, não conseguiria ver os olhos da moça. De onde estava, a moça não conseguiria ver os olhos dele. Mas as memórias de cada um eram tantas que ela imediatamente entendeu e aceitou, desaparecendo da janela no exato instante em que ele atravessou a avenida sem olhar para trás.


Caio Fernando Abreu